Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

FIRMEZA

arfar do hálito

um sussurro que nega

bocas de húmidas línguas, sedentas

lábios maduros e quentes

pela firmeza, a rendição.

puro suor cumpre o destino

ajustar das curvas dos corpos

enquanto se esmagam bocas…

roçar de pernas

derretem-se desejos em resistências de mel

carinhos líquidos no brilho molhado dos olhos

selar do mundo no sussurrar do nome…

todo o corpo é movimento.

Ganas e movimento…

mãos presas, mãos exploradoras

lábios disciplinadores do corpo

na escondida exposta

rubra amora que não aplaca

euforia no embainhar

o relâmpago

fragilidade de eléctrica convulsão

o desejo de bis!

 

Edite Gil

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ABONADO COLORIDO

Pagão hálito que envenena

sublime maçã sazonada

a boca vai tecendo silêncio

os olhos envolvem a pele

perpendicular impetuosidade

as mãos segredam notas musicais

de bruma na espuma

que à pluma ruma

depenicos debicos de bicos a mordicar

os corpos sedentos envolvem-se

fundem-se

dissolvem-se

 

Edite Gil

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NOITE INVEJOSA

transpor o barranco e cicatrizar temporais

sem miopismos a empoeiradas mentes

o coração verte lágrimas de cristal

sob uma lua surreal

flutuam os lábios que lacram o beijo

famintos na quietude do desejo

pelos espinhos se teme a flor

eterno Inverno

nublado de erotismo

arrepios percorrem a carne

sublime clandestinidade da madrugada

ser delta e ser foz

incandescente beijo de vidro

inaugurando a tela

cansados braços, buscando na ausência

 

Edite Gil

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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

AVESTRUZ

ser avestruz

há miopismos que se tentam transpor

e mentes emporiradas que circundam

há lágrimas de puro cristal

vertidas pela alma

o coração da lua

é barranco intemporal

faminto e surreal

flutuam quietudes

espinhos de desejos

famintos

na flor que teme abrolhos

há noites invejosas

que vão moendo, caladas

aguardar o tempo que brandamente macera

sensações de sentidos

sentidamente pressentidos e incoerentes

mas prescientes

braços cansados, caídos

buscando

tange o ser…

o ser avestruz

que não sabe, mas quer voar

 

Edite Gil

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SABOR DA LUZ

na madrugada clandestina

é sublime ser montante e jusante

ser incandescente delta

e em beijos de vidro, ser a foz

inauguro a tela

percorro erotismos enublados

flutuam Invernos em lábios lacrimejantes

eternos que lacram Invernos

perfumes, tactos, músicas, cores, gostos

a ardente escala de faunos beijos

estendidos, flutuam os beijos

meramente na lira que tange, sensual

aromas subtis de louco sabor

que aspira alma de estranha melodia

no beijo disperso

controverso

inverso

perverso…

a luz da maçã no sabor do poente…

 

Edite Gil

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Sábado, 28 de Janeiro de 2012

...


contador visitante

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Domingo, 8 de Janeiro de 2012

MAR DISTRAÍDO

Não quero as nuvens negras

ameaçando tempestades!...

Eu quero ser o pássaro branco,

o pássaro leve que desliza

alegre na brisa que tamborila…

Quero acender uma estrela num chão de palavras…

Quero o som da chuva

imortalizado na delonga de um verso…

Eu quero o mar distraído,
e o odor do tempo suave,

e os restos de Atlântico nos olhos…

 

Edite Gil

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ABANDONAI A NOITE

Abandonai a noite medonha e feia

estimada como preciosidade!

Que não medrem mais as faíscas gélidas

que aplaquem o desespero das almas famintas de luz

que cesse, na alma, a chuva estupidamente persistente

parecendo não abandonar o céu!

Deixai a pomba branca

partir rumo ao pôr-do-sol

onde um brilho de alegria, bailarino perfeito,

começa a florir

nos conquista e encanta

e proporciona um espantoso cenário…

Olhai a vida

como um navio de luz resplandecente

a rasgar as águas deste rio doirado…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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SOLIDÃO

Trajada de infinito

na una demência insana

encontra-se a lucidez

algures

numa esquina da mente

uivando sua dor sôfrega

entre cardadores de erectos abrolhos…

É urgente travar a evolução!

O alheamento disfarçado em cada ser,

numa ostentação faustosa de ventura

encobrindo cada ermo descampado

impúdico e perverso

na avidez de uma evolução

que se pretende interdita

o exílio da alma ante o corpo

contraiu matrimónio

com a ternura deprimente do progresso.

 

Edite Gil

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ALTAS HORAS

Há um vulto iluminado pela lua

nesta noite esquálida de perfume

noite em que ao calor de uma carícia

se opõe uma brisa eivada

por odores pincelados de lírios

e discretas açucenas.

noite pura, cálida e fria

em que baila a geada em noite de julho

em que o trigo saltita e a cevada se agita

na brisa perfumada de uma espiga meneante…

Solitária miro a cigarra

cantando perfumes de verão

numa quente noite de estio perfumada

em que neva em meu coração…

 

Edite Gil

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TROVADOR

Serei talvez

um auspicioso trovador

num moderno caminho destruidor…

A noite será chocolate

para uns ouvidos áridos de mel

ante a luz suave do entardecer

e o crepitar de cinzas numa fogueira feita borralha…

À luz paciente da lua

aromatizada pelos gritos das flores

nascem pensamentos ridículos,

sorrisos que rapidamente morrem nos lábios,

à suave luz do entardecer

petrifica-se um amor de uma felicidade contrariada.

O dia engole a noite e a noite devora o dia…

 

Edite Gil

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ERRANTE

Deambulo errante numa estrada

que ruma a uma terra estéril

a um negro fundo de um precipício.

Entre o poço do passado e o abismo do futuro

há um firmamento estrelado de uma forma extravagante

engodado de uma perfeição estupidamente brilhante.

Em mim há um rebelde demónio

que me segreda sobre a falsa ciência do amor

que me murmura sobre esse sentimento obsoleto.

É fácil falar da dor

nesta existência sonambúlica.

 

Edite Gil

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NADAR BEM !...

Nadar bem…

procurar águas límpidas e cândidas…

Procurar

a difusão do brilho cristalino de um raio de sol

que se espraia pelas águas ondulantes…

Ter o discernimento suficiente

para não se deixar iludir por cores brilhantes…

Ser suficientemente inteligente

para se adaptar a alternâncias de correntes…

a variadas temperaturas da água…

Nadar,

nadar livremente…

Nadar livremente entre algas e corais

e ter tempo para apreciar a sua beleza…

Aproveitar a paz luminosa no mistério da vida…

Usufruir toda essa alegria

que só pode ser apagada pela confidência da morte…

Foi esta a história

que um peixinho me contou

quando eu era criança…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

 

 

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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

VERSOS COM METÁFORAS

 

Curvo-me na prancha que afugenta os anos-luz

se tardas, tarda o destino…

Sem ti, mastro, e eu, vela, só barlavento…

Não sei velejar.

Tropeço o vento

estatelo-me no sequeiro…

Que faço com o horizonte?

Desfraldo a vela

liberto a alma…

Que faço com a tangerina?

Inocento o tempo…

Sequei as lágrimas na diagonal

com versos de verde esperança…

Engrosso a multidão de sonhadores…

Busco-te mirante

em versos com metáforas, envergonhados…

Vem

debicar meus lábios

com beijos de sol…

Não inocentes as mãos…

Rasga convenções

inventa gestos

acende a brasa

dá-me a vereda, o trilho para chegar ao cume…

Sê maestro da orquestra e sequestra

dança-me nas letras de bichos de seda

solta-me o rouxinol

Desata o atilho e desfralda a ternura…

Define meu rumo

não sei navegar!

Carda o coração

de seda e veludo

e descalça, seguir-te-ei…

Deixa-me tocar teu peito

orlar o sereno azul da lua

na prata que furta ao mar…

Deixa que a noite amadrinhe o amor…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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A ALMA HABITUA-SE

 

perdida no nevoeiro

a dormência da bruma já nem incomoda

a alma habitua-se

eterniza-se, secretamente

a rotunda das estações…

acarinha-se a Primavera

a volúpia do Verão

o másculo peito do Outono

o bafio do Inverno…

já nem incomoda, a dormência da bruma

a busca que transpira em cada verso

giram, tímidas, as letras

do verbo sonhar…

rola o chapéu para os olhos

onde esconde a nudez…

a pele nua, feita de espuma

fundindo ondas…

a dormência da bruma…

já nem incomoda

ser musgo de muro ancião…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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ORLAR DE CINTURA

 

Invento a vida

Reinvento a vida

sem abraços servis que ladeiam a cintura…

Ser princesa em reino de segunda classe…

Sonhar

o perder de bocas sedentas no encontro de lábios

inquieta língua…

O castelo

sincero como o papagaio do rei…

O príncipe

é montada de cavalo branco

tal bola no roseiral…

Intransigente jardim de rosas

onde a sintonia dos corpos

é dona do alvorecer…

O sal dissolve-se na água

onde, em maré de feminino

se decompõe o veludo do chocolate

dissociando cacau e açúcar…

É proibida a doçura ser dona da madrugada!

Viajante em esfera de tortuoso aço

esmaga e engasga em colo de felino

predador…

Pré da dor…

O príncipe, de corda ao pescoço,

oculta-se em brilhante plumagem…

À princesa anã

não é permitida aproximação

ela cai do cavalo,

branca e pálida

esquálida

sedenta de vida…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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DÚVIDAS

 

Não podem ser assumidas dúvidas

dúvidas que espreitam

e nuas, sedutoras, ensandecem…

Dúvidas do sol e da lua

que com a quietude de sua beleza

iludem os tolos!

Duvidas do mar e do sorrir

que ilude a tristeza com o olhar

como se o banho de mar

infundisse esperança…

Praia extrema do inferno

que enfuna as velas de fogo

em que as sereias e seu canto

abandonam coração na vítrea areia.

Duvidar da dúvida que duvida da vida

e tece teias que enleia

e baralha

e confunde os afogados…

Não podem ser assumidas dúvidas

aparecem

permanecem

ensandecem…

O espelhar da ausência

na essência da inocência

é uma sapiência…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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Domingo, 23 de Outubro de 2011

CAFÉ E WHISKY

 

Não quero sorrir na rotunda do esquecimento!

Contemplo uns passos

no mar imenso de minhas esperanças

seguindo a sombra do pensamento

sob a árvore lenta e silenciosa

lenta como minha vida.

As folhas sorriem

amargas

e são poeira nas retinas

ruído infernal

queria suspender o infinito céu

pendurar essa árvore

para me abrigar das gotas da chuva.

Ser escultora

e poder rumar o olhar

à metade do mundo que esculpi

harmonioso rosto de amabilidade cavaleiresca

uno as pálpebras e tacteio…

esculpo em terracota e guarneço-a de afecto

ternuras que emanam desses versos

tremeluz meu labor de artístico regozijo

jovial sonho de acordar

e ver esta peça no museu da minha ventura

Persigo fantasmas

aguardo a flor com fome de sonho

que espera na doce janela da memória…

Quentes rememberanças

de tristezas nesta vida avó…

penduro, no abismo, meu conto de fadas

as memórias apagadas do sabor da hortelã

concurso de sonhos por realizar…

mirar definhado no tempo morto da areia e do mar

na doce fragrância de algas

e sal…

Gostava de ver o espelho narcisista da humanidade

num tempo de nítidas verdades

que vagueiam algures na esperança…

espelho estranho, embriagado

que conserva a sete chaves o sentimento melhor de todos

no rápido relâmpago do remar do tempo perdido…

reluz a existência, na gaveta fechada!

E pensem o que quiserem!

Estou sozinha e ninguém me salva!

Afoguem-se num mar de angústia e dor

mas deixem meu rasto de olhos…

se for libélula, quero bailar no vento tépido

as asas serão palavras de harmonia

e esconjuro os medos.

Ah!

sob as estelas, dormir sem receio do lobo

sentir o chocolate num mar de laranja

abraçar-me e dançar com o sorriso

sem críticas de insanidade

dançar ao vento e saber comer a maçã…

Quero uma fracção da lua e do mar!

 

Edite Gil

 (Registado no I.G.A.C.)

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SOCALCOS DA ALMA

 

Ser feita de sonhos

olvidados algures…

Boneca de retalhos sonhados, coloridos

que, por vezes, faz sorrir

ou chorar…

Boneca de sonhos despertos

que teima em sonhar…

mas o corpo precisa de calor…

Escuta meus olhos

e ouvirás a verdade que guardo no peito

sem temer a invasão de meus segredos…

Serei flor que insiste nascer entre fragas?

Serei leão que aprendeu a amar o oceano?

Maiores os socalcos da alma

que os revelados pelo espelho!

Quero sentir-me anjo e voar

e não a serpente que rasteja!

Acalentada pelo silêncio da noite

guardo os ventos de amar o mar…

E o tempo não cessa!

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

TERNURA FEROZ

 

beijo eterno o da lua na janela

os desejos vagueantes murmureiam

nesta noite de cambraia

em que arminho harpeia a lira…

vem

bebe estes suspiros balbuciantes

aplaca o sangue que ferve

morango sangrento nos lábios voluptuosos

bocas que se unem comungam o mesmo anseio

desencadeiam licores

veste-me o corpo com teus dedos quentes

como se não fossem só duas, as tuas mãos

alheios ao tempo

deixo cantar os poemas nunca escritos

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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SUSPIRO

 

braços que envolvem a alma

mãos que afloram, que tocam

com garra

avesso exangue

no pensamento do sangue

sabor de beijos 

calor de lábios

calibram o desequilíbrio

em fonte de banho

a cor de dois

luminoso olhar de silêncio

ansiedade de sentir o calor da pele

o sabor do perfume de pele

línguas que se saboreiam

inteiro arrepiar

entrecortar de respiração

alagar do calor no ardor mais intenso

exalar embriagante da razão que se elanguesce

famintos, já não se ouve o canto das aves

fundem-se os corpos

fundem-se as almas

náufragas de bocas ensandecidas

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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DELÍRIOS

 

aplacar do corpo a fome

assanhar de desejos

sublimar ardente paixão que consome

em sensuais brasas

olvidam-se os entraves

gemidos e suspiros de cristal

receber um coração e guardá-lo em terno abrigo

desnudar, arranhar de fera no corpo

mordicar a carne quente a cada palmo

furtar a cor do batom por lábios maduros

o corpo reclama o corpo

crescente volúpia

ajustar os olhos e sentir

a boca em louca festa de flores

ungido impudor

vence devasso êxtase

penetrar águas para ser!

ansiedade vibrante,

sonhos que fazem amor com fantasias

veias pulsantes, sangue que ferve,

corações palpitantes

banquete de espuma e carne

do néctar existente nos corpos ardentes

o desejo tem pressa

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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SILÊNCIO SILENCIOSO

 

O peito é casa vazia

e sem árvore no Natal.

 

O rosto brilha

inundado de lágrimas…

O remanso da dor perpetua-a…

Calou-se o silêncio

no mundo tacanho…

A razão perdeu-se

algures na opacidade deste mundo que gira…

Os sonhos existem

a realidade é que está errada!

Sem vento soprada

a brisa imortal impõe mediocridade à vida.

O peito é casa vazia

mas com árvore no Natal….

 

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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RELENTO

 

esmalte pálido

aguardo ao relento

o poisar do silêncio

aro em meus dedos

o olor, a fragrância de verde maçã

bordo

a ponto de areia a cor dos teus olhos

a ponto cadeia a força bravia dos braços

aguardo

não quero tecer mais saudade

 

Edite Gil

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CIRCUNSPECTO OU IMPRUDENTE

 

despertar as pálpebras sonolentas

que desenformam um olhar audacioso

de firme desenho…

contemplar

quem passa alheio

à indescritível comédia da vida…

a boca ampla de que a natureza nos proveu

castra a palavra

mordendo os cantos inquietantes

nunca viçou barbara austeridade…

na vigília que compraza

tece júbilos ao gélido granito

inenarrável a pujança faustosa

do grotesco cruzar de braços

hirsutos verbos na abstinência do som

o embuçar do sono

o embebedar de sonhos

da palavra colorida

 

Edite Gil

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MADRUGADA

 

Pelas traseiras, entra-se na madrugada

que consome a conta gotas

migalhas de memórias

anavalham

vagabundam vultos

omitem a dor do oco no estômago

há conversas diluídas num cais de amizade

nas brumas da ilusão

o corpo conta as gotas do tempo do destino

tenta-se engomar os sonhos

recito uma lágrima de um poema

as lágrimas são estreladas

desfoca-se o olhar

mantém-se o buraco cingindo a solidão dos dias

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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PALAVRAS DE VIDRO

 

Até o fumo do cigarro foge de mim

nestas horas sem chão

criam-se sons

para não ouvir as gargalhadas da tristeza

ajoelham-se as palavras no vento

com velas de silêncio

inútil cremar impressões digitais do tempo

embalsamam-se momentos

                sou portadora de questões inquietas

de sombras vestidas de nada

palavras de vidro

e as estrelas mortas nos telhados…

talvez a loucura morra sem saber

a voz funde-se na distância

opaco este silêncio

uníssono o afastar do entender e da crença

e permite-se o descansar da raiz

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

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POEMAS DE PLÁSTICO, SEM CÔDEA

 

Em surdina gagueja-se a revolta

enferrujando versos

tenho a vida a crédito

nem raio de sol nem palavra com raiz

restos de vida perdidos em bolas de sabão

o remendar da alma

abrigo o beijo flor de lis

em meu peito que se evapora

exéquias à linha do horizonte

ampara-se o tombado coração

gela o grito do abutre que naufraga na nuvem

a brisa entristece

vegetam os dedos na mão

solta-se um miado à morte prometida

escrevem-se poemas de plástico, sem côdea

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

 

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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

FLORES NOVAS

A vela trémula

de sonhos vorazes

a raiar perfumes e sabores…

Indecifrável,

a madrugada aflora

ousada guardiã dos íntimos desejos

intrépida alma inflamada…

Sou rio livre que flúi sem comportas

ou com portas descerradas…

Desvarios incontidos

e serenos tecem intimidade…

A serenidade do olhar contemplativo

a sensualidade do néctar esquecido nos copos

o viajar sobre a pele

e naufragar à luz que acende os desejos

do fogo sagrado de cada um…

É supremo

sonhar flores novas

e ser poema de amor…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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GOTAS

o mundo está lá fora

mudo nas retinas

que não desfaleça o corpo

o quotidiano infinito já desbotou

encantos desabotoados

desaguam em salgados mares

onde se fundem águas de pranto

acordar com falta de si próprio

encontrar-se como trôpego rebuçado

a vida é um enfado num parque de diversões

a sobrevivência, uma rotina

muda a resposta de hoje

muda, a pergunta de amanhã

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

MAR ALMIRANTE

Mar almirante

águas mornas dos céus que descem

quando o luar faz vénia à janela

a lua envergonha-se e esconde-se no firmamento

o beijo que pelo corpo desce

toque que descasca o desejo

disseminando tons de aromas sensuais

cores de pétalas vogam corpo adentro

noite perfumada de pasto

lábios que pedem água de ternura

melodioso corpo

o perfume da maré quando se retrai

doces volteios de libelinha que acaricia o coração

ombros das estrelas entreolham-se

com dedos de hortelã em mãos de zimbro

o amor é lírica perfeita neste mundo de imperfeições

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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MUTILAR DO SONHO

Quero vogar no sonho inaudito!

Mutilaram o sono, para não sonhar!

Nasci anjo,

bebi conceitos

cresci com a razão

cortaram-me asas!

Asas insistentes e sonhadoras,

pequenas asas contra as injustiças,

ínfimas asas contra o mal…

Sou mortal indecente,

impreciso e indeciso

crente e indulgente…

Deceparam-me as asas…

Nasci anjo,

Mutilaram o sono, para não sonhar!

 

Edite Gil

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BRAÇOS DORIDOS

desconheço

o saber do sabor dos braços das ondas

quando penteiam a areia

braços doridos

singrando sangrando

colados ao chão

guiados, transigentes, na procissão

carregam o andor da espuma

exalando rotina

inertes

não voam!

não se pode desistir do voo

no esmero da sobrevivência da rotina

 

Edite Gil

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PALAVRAS MUDAS

Palavras mudas de elocução

alterando o rumo da perfeição

pecando na sonoridade

farrapos de passos que o tempo trespassa

falácio palácio que engaça e enlaça

em bruma, caruma de espuma

que em suma nem ruma!

Sofrer esconjuro

em apuro bem duro

do futuro eu saturo…

 

Edite Gil

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CHAVE DICOTÓMICA

Classifico as aves com chave dicotómica

de grupo em grupo

de sub-grupo em sub-grupo…

surgem com nomes estranhos!

Classifico os animais com chave dicotómica

de grupo em grupo

de sub-grupo em sub-grupo…

surgem com nomes estranhos!

Classifico os peixes com chave dicotómica

de grupo em grupo

de sub-grupo em sub-grupo…

surgem com nomes estranhos!

Classifico os seres com chave dicotómica

de grupo em grupo

de sub-grupo em sub-grupo…

surgem com nomes estranhos!

Onde é que eu me enquadro?

Onde me classifico?

Quem sou?

 

Edite Gil

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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

AVIVAR O VENTO

Ser matéria prima

em estrada de precipícios

dantescos abismos

de impecável qualidade

e condenável perigo

que aflora a crença

aquando, de escarpa tranquila,

convida à ilusão

em jardim idílico

que no Inverno cultiva Primaveras

e dos ais despontam quedas de água

fluindo pálidos odores a alecrim…

Talvez na ruga perdida

ouse avivar vento…

 

Edite Gil

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CONFESSO

Às palavras eu confesso

que me perco nas letras que as formam…

Perco-me no ar e no mar

no frio e no fogo

no erudito e no trivial

na busca incessante

na terra e no sonho

no eco perene…

Confesso às palavras

que me perco nas letras que as formam

e fico sem palavras…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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VETUSTA PÁGINA

Busco paz e beleza

encontro tristeza e melancolia…

mal traçadas linhas

delineiam o coração…

rumo de luar em luar…

olhos de aurora

timbre de canora

enlaçar do crivo inquieto da memória

quanto tempo, tanto tempo, bruma, dentro de mim

há um vazio que se repete ecoa

bárbaro sentir nesta insula que habito

hora de oiro e de agoiro

prometida e anoitecida

pés de espinhos, roxos, doridos

em cálice de orvalho, sem luz celeste

sou pássaro sem fonte

e rumo ao Norte neste deserto árido

são menos os peixes do mar que a dor

a fogo, rumo para os ferros

gruta de praia que a onda, à bruta, faz

rude aragem nesta viagem

onde pranteio

amortalho o frio em ilusão de alma

chove!...

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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IGNOMÍNIOS VERBOS

Ignomínios verbos os do poema

onde se pranteia a dor

da tristeza inflamada

pela estrela atingível e não alcançada…

Livro sábio onde apodreço

de rebuscado pesar

onde pantanosas águas

erigem seu lar…

Rumando a parte alguma

a lugar de ninguém

na esperança que não se exuma

do calor que não se detém

em féretro se arruma

este ser de ninguém…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Lançamento do meu livro O LADO INAUDÍVEL DAS COISAS

O lançamento do meu livro “O LADO INAUDÍVEL DAS COISAS“

 

terá lugar na livraria BUCHHOLZ,

 

Rua duque de Palmela, 4 – Lisboa,

 

dia 24 de Fevereiro de 2011, pelas 18h 30min.

 

 

A apresentação será feita pelos “Jograis do Atlântico”

sinto-me:
publicado por Edite Gil às 23:51
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

FADIGA

Cansei-me de ver

burilado excessivo

em vocábulos toscos e grosseiros

peculiarmente ostentados…

Cansei-me da busca

da substância da vida

dominada por

línguas de malícia, na escuridão incandescente!

Encrespa-se a estercada

vanglória do fundamento nulo

Quero peneirar

para me libertar das palhas…

Quero nadar para outras margens…

Quero ver outras paisagens…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:37
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SÓ NO DICIONÁRIO O SUCESSO PRECEDE O TRABALHO

Será mau prenúncio

ou lapso demencial

colocar a máscara de candura

aquando do lado errado do cano de esgoto?

A não contestação do ancestral,

essa armadilha ortodoxa

que nos incute uma inoperante oralidade

disfarçada de cacho de rosas,

numa beleza visualmente controversa

talvez louvando a demanda da ociosidade de parasita

permite ao pensamento divagar por lado nenhum

aceitando esse féretro que enclausura…

Que verme não segmentado

se permite ser ladrão de pensamento

deixando o afluir das lascívias?

Que aves acordam,

numa afoita rudimentaridade avançada

e se abandonam ao capricho da chuva?

Afinal, neste imenso pecúlio cerebral

não é só o vento que não se preocupa com a sua caligrafia.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:36
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REVOLTA

Terá esta gente memória de peixe?

Reinará, a indiferença mundana acomodada?

Onde está a educação e a formação?

Assistiremos pávidos e serenos

ao apodrecimento da pureza já tão perdida?

A que móbil interior poderemos apelar,

quando, com uma precisão cirúrgica,

a amoralidade suplanta os bons costumes?

Seremos prisioneiros

dos silêncios eternos e inoportunos,

adormecendo ante o ribombar de problemas e emoções?

Rebelamo-nos demonstrando o descontentamento gélido

ou contemplamos apenas as exéquias da nossa história?

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:31
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TRIUNFO DA IRRACIONALIDADE

Aqui estou em sã demência

vislumbrando vultos iluminados pela lua

onde ao calor de uma carícia

se opõe a brisa aromatizada com odores de crisântemos

meu ser

de modernidade primitiva

elaboradamente esculpido

vislumbra com hipnotizadora nitidez

a esquálida vida

que teima em atravessar seus muros

líquido insensato carmesim me aflora o rosto

silhueta obscura de um aroma recortado na aurora

arrastando ansiedade e raiva

de nuvens sombrias

que ocultam o sol de uma manhã perfeita

há o gemido a percorrer o corpo

a percorrer a chave do cofre da mente

viro costas às recordações

a lua esconde-se detrás das nuvens

o gelo da bruma invade os ossos

a um ritmo compassado

os olhos como brasas do desespero

os lábios formando palavras

das profundezas de ruínas submissas…

Triunfa da irracionalidade!

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:27
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DEMANDA

por vezes buscamos em nós

respostas a questões sem nexo

numa interminável demanda

da utopia absoluta

de um ser desconexo

numa razão do músculo cardíaco

cega e inabalável

defraudamos o nosso ser

num infinito de húmidas labaredas

e num pensamento ridículo

conclui-se somente

que nos abandonámos algures no oco do universo

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:26
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ENCRIPTADA

na sombra vespertina do crepúsculo

num céu riscado por nuvens preguiçosas

escuto taciturna

o som do sol nascendo e aquecendo a terra

o inaudível som das flores quando se abrem

as ervas bebendo o orvalho da noite

...

permito a carícia da chuva no rosto

encriptada em sentimentos mudos

sem ouvir mágoas

desejos

e opiniões...

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:21
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AFIVELAR

Olhei-me com verdade e que a sinta

essa pureza inculta de meu ser

neste ser desafortunado

nesta vida mumificada

a saudade é inútil

incauta a ânsia…

Uma unha raspou o mármore

nos labirintos do pensamento

e num borrifado dengoso

afivelei o ar mais distante deste mundo.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:17
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ESPERTINA

Não conseguia dormir e apeteceu-me gritar.

Um grito completo do coração

Talvez afronta ao espírito,

Essa ladeira pedregosa do caminho da mente.

Insurgir-me contra a falsa luz da lua

Que se reflecte num lago inconsciente de serenas águas…

Surgiram meras palavras glaciais de sentido,

Sons inclementes de soluços exaustos,

Chuviscos desvanecidos de ecos estridentes…

Inclemente esta dor sórdida.

E num movimento animalesco

Um aperto de mandíbula

Monopolizou meu pensamento.

E neste mimosear de palavras cruas

Fiquei com um crédulo olhar intrigado de diamante multicor…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:16
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POEMA VAZIO

Já não tenho a energia de um cavalo de corrida

nem tão pouco sua ágil insensatez…

Minhas folhas têm margens farpadas.

Sigo adornada

de um véu inexpressivo no olhar.

A esse soluço exausto,

respondo com um olhar inclemente

tais duas janelas vazias para o nada na cabeça…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.))

publicado por Edite Gil às 20:07
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Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

UMA ÁRVORE DE NATAL

Quisera, Senhor, este Natal

plantar uma árvore

no coração dos homens,

com profundas raízes

nutridas em Ti.

Quisera, Senhor, este Natal

enfeitar essa árvore

com fitas doces de equidade,

bolas coloridas de amizade

com o nome dos amigos

escrito em cada uma…

Dos amigos que vejo

dos que não vejo há longo tempo

e dos que partiram e estão Contigo.

Enfeitar essa árvore

com luzes cintilantes de fé renovada

e no topo

a estrela do perdão.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 19:35
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